25/08/2007 (SAB)
22:00 hs
Leminskes tem a mesma história de milhares de bandas que pipocam em garagens do mundo todo: amigos que se gostam e que têm no rock um estilo de vida. Leminskes não é nada além disso: amigos querendo se divertir nos finais de semana. Nenhuma revolução, promessa ou salvação para o rock. Aliás, não há salvação para o rock. É o rock quem salva e se salva.
O rock é e sempre será a trilha sonora escolhida para ver a vida correr, enquanto o trabalho consome, mas alimenta, no momento em os amigos chegam e partem, no calor em que as paixões nascem e às vezes morrem com a gente. Mas não é só no rock que se encontram as palavras apropriadas para expressar esse turbilhão de sentimentos. As palavras também estão em movimento e carregadas de poesia nas páginas de inúmeros livros que nos inundam de emoções. E foi na combinação da distorção do som com a força das palavras que Leminskes buscou a sua inspiração. Uma clara referência e uma honesta homenagem ao poeta paranaense Paulo Leminski, que tão bem soube brincar com os sons e com as palavras.
Formada em Maringá-PR e reunida em 2007, Leminskes conta com a voz de Daniela Corazza, com a guitarra de Rafael Souza (Sex Hansen, The Guavas e A Inimitável Fábrica de Jipes), com o baixo de Clériston "Gótico" Teixeira (Os Prolétas, The Jhones Project) e com a bateria de Igor Grande. Para o final de 2007, o primeiro CD da banda, com o nome provisório de “Canções Despedaçadas para Juntar os Cacos” deve ser lançado. A banda faz sua estréia no próximo dia 25/08, junto com o Terminal Guadalupe, uma das bandas mais bacanas e inteligentes da atualidade.
Radicado em Curitiba (PR), dentro de uma cena musical agitada por várias raízes sonoras, o Terminal Guadalupe está lapidando seu repertório de canções desde 2003, quando o vocalista Dary Jr. lançou o CD “Burocracia Romântica”, trilha sonora de um curta-metragem homônimo. Na seqüência, vieram à coletânea “Girassóis Clonados" (2004) e o premiado “Vc Vai Perder o Chão” (2005), álbum em que a banda teve sua formação definida: Dary Jr. (voz e letras), Allan Yokohama (guitarra e voz), Fabiano Ferronato
(bateria) e Rubens K (baixo).
Ajustado musicalmente como um quarteto, o TG passou 2005 e 2006 tocando pelo Brasil - de Florianópolis para Corumbá, de Londrina a Maringá, de Araraquara para Brasília, com escala no Rio de Janeiro para receber um prêmio dos leitores de uma revista – e preparando o repertório de “A Marcha dos Invisíveis”, quarto álbum da banda, e que tem tudo para ser o primeiro.
Lançados de forma independente, os três anteriores conseguiram o respeito da imprensa (a Folha de S. Paulo, a revista Bizz e os críticos/escritores Arthur Dapieve e Tárik de Souza já renderam elogios ao grupo), conquistar fãs (que elegeram “Vc Vai Perder o Chão” como o Melhor Disco Independente de 2005, em votação da revista Laboratório Pop), azeitar a formação da banda e ganhar um novo integrante, o guitarrista Lucas Borba, músico integrado após a gravação de "A Marcha dos Invisíveis".
O som das guitarras é cristalino e empolgante. Gravado, mixado e produzido no (já mítico) estúdio Toca do Bandido (que já registrou as estréias de Maria Rita e Wander Wildner – e mais gente entre estes dois pólos de interpretes do cancioneiro nacional), por Tomás Magno, “A Marcha dos Invisíveis” é o álbum que pode colocar a música nacional nos eixos, mostrando para um público maior que existe vida e inteligência no cenário independente nacional. Mas e o grande público? Como fazer com que esse público descubra o cenário independente brasileiro? A maneira mais fácil é descobrir uma boa banda, que prove ainda ser possível juntar A (boas músicas) + B (boas letras). E o TG é esta banda.
Entre o amor e a guerra, “A Marcha dos Invisíveis” se revela um disco fundamental para o momento atual do rock feito no Brasil. Ao colocar na praça as dez canções que compõem o álbum, o TG escreve uma nova página, a primeira, na verdade, de um novo capítulo do rock feito com guitarras na linha abaixo do Equador. As próximas páginas ainda estão em branco, e, apesar de incerto, o futuro está nas letras e melodias das canções de “A Marcha dos Invisíveis”, do Terminal Guadalupe. Depois não diga que não foi avisado.