06/11/2007 (TER) até 27/11/2007 (TER)
21h
Transportar o público ao passado, ou seja, ao seu tempo vivido ou experimentado. Esse é o objetivo do espetáculo “Vecu” que será apresentado durante todo o mês de novembro, no “Convite à Dança”, pelo grupo de dança Erastos. O projeto desenvolvido pela Prefeitura, através da Secretaria da Cultura, é realizado todas às terças-feiras no Teatro Reviver e a entrada é franca.
O Erastos é uma companhia de dança profissional que utiliza a linguagem contemporânea para abordar, nas coreografias, temas presentes na sociedade moderna.
Para a coreógrafa do grupo, Nara Dutra, o “Convite à Dança” é um projeto que valoriza a arte e os profissionais do município. “Preparamos um espetáculo especial para apresentar durante este mês, de acordo com o que o público merece ver. Este é um projeto que tem o objetivo de levar cultura à comunidade. Desta forma, obriga os grupos de dança a se profissionalizar e elaborar a apresentação, ao invés de apresentar coreografias de academia ou dança laboratório”, declara Nara Dutra.
Pesquisa
Para a criação do espetáculo, o grupo realizou um trabalho de pesquisa baseado na questão do tempo, abordada na filosofia de Maurice Merleau-Ponty (1908-1961). “Partimos da discussão da noção clássica da consciência e da percepção à luz do pensamento objetivo e causal, e da reflexão crítica do tempo empírico da ciência como forma de chegar à noção da consciência enquanto subjetividade encarnada e situada no mundo”, explica a coreógrafa.
Durante o espetáculo, o grupo desenvolve o termo déjà vécu que está associado ao termo déjà vu. Normalmente usado como 'já visto' ou 'já vivido', déjà vécu é descrito em uma citação de David Copperfield de Charles Dickens.
Déjà vécu refere-se a uma ocorrência que envolve mais do que a mera visão, por isso é incorreto classificá-lo como "déjà vu". A sensação é muito detalhada, o sentimento é de que tudo é exatamente como foi anteriormente, por isso, as teorias que advogam que a situação teria sido lida previamente ou vivida numa vida anterior são inválidas, uma vez que essas ocorrências nunca poderiam recriar a situação com exatidão, seja devido à falta de sentido do envolvimento, seja pela presença de um ambiente moderno.
Recentemente, o termo déjà vécu foi usado para descrever sensações muito intensas e persistentes do tipo déjà vu, que occorrem como sintoma de uma perturbação da memória.
Espetáculo
A apresentação conta com a direção geral de Nara Dutra; dos bailarinos Anne Silva, Cintya Múcio, Evelin Coelho, Franciele de Souza, Janayna Barbosa, José Augusto e Juliano Ferreira. Para criar a coreografia, participaram Nara Dutra, Juliano Ferreira, Franciele de Souza e Anne Silva. Os profissionais Rodrigo dos Anjos e Roberson de Oliveira são os responsáveis pela percussão do espetáculo.
O “Vecu” tem 45 minutos corridos de duração, com apresentação de música ao vivo que envolve apresentação de conjuntos, duos, solos e trios. São sete cenas, com coreografias voltadas para a linguagem pesquisada. “Estudamos o tempo cronológico que é representado por uma seta em linha reta, onde não se pode voltar ao passado e o tempo subjetivo, representado por um círculo que envolve as fases nascer, crescer e morrer”, conclui a coreógrafa, convidando a todos para assistir ao espetáculo.
Serviço: Mais informações na Secretaria da Cultura, pelo telefone 3221-1823 ou com a coreógrafa Nara Dutra, no telefone 3025-3515.