21/04/2011 (QUI) até 09/05/2011 (SEG)
A exposição Lona preta, do artista plástico Tadeu dos Santos possuiu 40 telas pintadas com materiais e suportes diferentes. A variedade é uma constante na obra do artista, em sua trajetória no mundo das artes. Em Londrina produziu adereços e carros alegóricos para o Carnaval, bonecos gigantes para o grupo Retalhos da Cultura Popular e murais pela cidade, junto ao curso de Artes Visuais da UEL. Em Maringá Tadeu participou como ceramista no ateliê de escultura do DCE e também produziu por vários anos cenários para o Desfile de 7 de setembro e do aniversário de Maringá. No Centro Cultural Indígena da Associação Indigenista de Maringá (ASSINDI) Tadeu criou em 2007 um mural em cimento para a fachada do abrigo dos artesãos indígenas. Por três anos seguidos, desde 2008, Tadeu vem promovendo o evento Festa da Cultura Popular no Centro Social Marista, no qual se apresentam diferentes grupos da cidade e região, como: Folia de Reis, capoeira, maracatu e cordel, entre outros.
Na exposição na BCE Tadeu mostra a produção de três diferentes séries criadas neste ano:
Na série Morro a pesquisa se volta para a temática das favelas nos morros, em 15 telas pintadas com acrílica. Os alto-relevos nas pinturas são feitos para deixar visível a idéia das favelas nos morros, um problema social que a cada ano provoca tragédias.
Na série Trama Tadeu se aproxima da abstração, em 03 telas pintadas também com acrílica. Nesta série as formas, texturas e composições são objeto da pesquisa do artista.
Na série Rumos, além da tinta acrílica, Tadeu também pinta com terra e o suporte passa a ser lona de caminhão. As lonas surradas e remendadas lembram os caminhos percorridos pelos caminhoneiros. Das marcas e remendos nas lonas surgem, feitas com terra, as imagens dos caminhões.
Na série Retratos a pintura já não existe. As oito telas são feitas com retalhos de tecidos com diferentes estampas, costurados em composições geométricas e abstratas. As cores vibrantes e as estampas variadas dos tecidos provocam o toque dos espectadores, diferenciando-se assim da pintura tradicional. A exceção é a tela Sociedade, onde os tecidos costurados têm apenas uma cor e não possuem estampas.
As obras da série Retratos foram produzidas a partir da composição dos retalhos, estampas e por meio da manipulação do artista das fibras vegetais e sintéticas que compõem o tecido, com sua carga de memórias. Por isto esta série recebe o nome Retratos: faz-nos refletir sobre as relações humanas e a indústria. O que fica são as memórias de quem usa e produz o tecido e as estampas, formando um retrato ao mesmo tempo individual e coletivo.
Em poucas palavras a exposição de Tadeu dos Santos apresenta as diferentes tramas tecidas no cotidiano urbano em constante movimento e transformação. Sendo o suporte das pinturas sempre uma variação das famílias de tecidos: lonas, algodão, lycra e outros, o fio condutor da exposição é a construção do sentido particular e social tramado em nosso cotidiano. A instalação das telas foi preparada sobre uma grande lona preta que dá o nome para a exposição. Esta lona Também é uma referência ao universo do tecido social como metáfora da cultura.
Contato com Tadeu: (44)8833-0940
Texto: Sheilla Souza
Total: 40 telas
Série Retratos: 9 telas feitas com retalhos de tecido costurados
Série Rumos: 13 telas pintadas com terra sobre lona de caminhão
Série Morro: 3 telas feitas com pintura acrílica com alto-relevo
Série Trama: 15 telas feitas com pintura acrílica