01/10/2011 (SAB)
20h00
Outro Olhar 01/Outubro/2011 A ESTRADA PERDIDA - NOIR ESCATOLÓGICO Um dos mais celebrados filmes de Lynch (mestre do cinema contemporâneo), espécie de jogo entre o sonho e realidade.
Se alguém achou que "CÉLINE E JULIE VÃO DE BARCO", filme do Rivette, da semana passada, era uma piração, não sabe o que lhe espera em " A ESTRADA PERDIDA". Situado entre "VELUDO AZUL" (86) e "CIDADE DOS SONHOS" (2001), ambos já exibidos pelo Projeto, "A ESTRADA PERDIDA" ´é o desdobramento visceral dos dispositivos lynchianos que esbarram na mais incrível abstração através de troca de identidade, amnésia, sexo e muita violência. Nem vale a pena falar sobre o suposto "arco dramático" porque, vocês verão, ele é frágil o suficiente para nos levar para as zonas de obscuridade de um mundo de perigos e mistérios para onde, também, os personagens são levados.
Nos contrastes exuberantes (e assustadores) entre luz e escuridão, Lynch destrói as premissas da narrativa convencional e instaura a dúvida e as suspeitas - de que, realmente, estamos no território do insondável. Com fotografia excepcional de Peter Deming e uma trilha sonora que inclui (de maneira exemplar) gente como David Bowie, Lou Reed, Trent Reznor (do Nine Inch Nills) e Tom Jobim (com "Insensatez"), o filme é um reflexo de um mundo desencantado e contaminado pela fetichização de absolutamente tudo e, ainda, uma delirante homenagem ao grande cinema noir. Mentes pouco afeitas ao mistério e a escatologia devem passar longe.
A classificação é 18 anos e a entrada franca.
“A ESTRADA PERDIDA” EUA/1997/135min - Direção: David Lynch - Elenco: Bill Pullman, Patricia Arquette, Balthazar Getty III, Robert Loggia e Robert Blake