10/11/2012 (SAB) até 11/11/2012 (DOM)
22h00 - 07h00
E-mail: [email protected]
Contato: Paulo Campagnolo
Será servido café da manhã e lanche para os corajosos participantes.
VIRADA CULTURAL – Maratona Cinematográfica
Local: Auditório Hélio Moreira
ENTRADA FRANCA
22 horas
“PSICOSE”
EUA/1961 – 107min.
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh e John Gavin.
Classificação 16 anos
O maior sucesso comercial do mestre do suspense, um clássico que se mantém sedutor e transformou Norman Bates num dos maiores personagens do cinema. A sequência do chuveiro, infinitamente imitada, continua a ser um primor de montagem. A história, todos conhecem: uma jovem rouba dinheiro da empresa onde trabalha, aspirando uma vida melhor com seu namorado. Na estrada, durante uma tempestade, se vê obrigada a parar num motel decadente e vazio. O motel é comandado por Norman Bates e sua mãe. Mas Norman guarda um segredo. Com fotografia primorosa em preto e branco (de John L. Russell) e a genial trilha sonora de Bernard Herrmann, o filme tem uma atmosfera pegajosa, ainda capaz de causar bons arrepios (!).
Meia-noite
“O QUE TERÁ ACONTECIDO À BABY JANE?”
EUA/1962 – 133min.
Direção: Robert Aldrich
Elenco: Bette Davis e Joan Crawford
Classificação 16 anos
Clássico do grotesco (o chamado grand guignol), um verdadeiro duelo entre duas das maiores estrelas do cinema norte-americano. Bette Davis está assustadora como Baby Jane, ex-estrela infantil que, na idade adulta, rivalizou com a irmã como estrela de cinema, nos anos 40. A irmã, agora, paraplégica, é atormentada psicologicamente por Baby Jane, enquanto esta tem como objetivo retornar aos dias de glória. As duas, no entanto, escondem segredos do passado, que serão revelados na medida em que a violência adquire contornos perversos. A cena da bandeja pode ainda causar calafrios. E o patetismo da personagem de Davis não deixa de ser uma severa crítica (a exemplo de “O Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder) à máquina hollywoodiana de construção e destruição de mitos. Fascinante estudo de personagens que Aldrich, um dos nomes da renovação do cinema americano, nos anos 50 (junto com Elia Kazan e Samuel Fuller), leva com perfeito domínio de técnica e atmosfera. Um verdadeiro show de humor negro.
02h45min.
“ESSENTIAL KILLING”
Polônia/Noruega/Holanda/Hungria/2010 – 83min.
Direção: Jerzy Skolimowski
Elenco: Vincent Gallo e Emmanuelle Seigner
Classificação 16 anos
Um dos nomes essenciais do cinema polonês, a partir dos anos 60, Skolimowski (74 anos) foi roteirista (de Wajda e Polanski) antes de estrear na direção, em 64, com “Sinais de Identificação: Nenhum”. De lá pra cá, poucos filmes e muitos prêmios. Chegou a ficar 17 anos sem filmar, entre 91 e 2008. Em 2010 lançou este instigante “Essential Killing”, que se mantém inédito comercialmente no Brasil. O ator americano Vincent Gallo (de “A Casa dos Espíritos” e “Arizona Dream” – além da direção dos cults “Bufallo’66” e “Brown Bunny”) é um guerreiro afegão capturado, interrogado e torturado por americanos, no Oriente Médio. Quando está sendo levado para um lugar desconhecido na Europa, numa paisagem coberta pela neve, o comboio em que está sofre um acidente e ele foge. Livre, se vê perdido, no entanto, diante da paisagem hostil, sem comida ou água – mas irredutível na sua ânsia pela liberdade. Exibido na competição em Veneza/2010, o filme levou o Prêmio Especial do Júri, Prêmio do Júri Jovem e melhor ator para Gallo. A Cahiers du Cinéma ainda elegeu-o como um dos dez melhores de 2011.
05 horas
“A MULHER...E LA BÊTE”
França/1975 – 94min.
Direção: Walerian Borowczyk
Elenco: Sirpa Lane e Lisbeth Hummell
Classificação 18 anos
Clássico do erotismo anos 70, retido pela censura brasileira na época da Ditadura Militar, o filme é uma versão irreverente e iconoclasta de “A Bela e a Fera”, realizado pelo polonês Borowczyk – que já havia causado escândalo e abalos familiares três anos antes quando colocou Paloma Picasso (filha de Pablito) pelada em “Contos Imorais”. Aqui, em exercício delicioso de humor negro e pulsões sexuais, uma bela e rica jovem é levada para um castelo, no interior da França, prometida em casamento para o herdeiro do local – numa dessas alianças que revelam a decadência da burguesia européia. Entre histórias nada ortodoxas sobre o passado da família e um clima de sonho (a cena da bela Sirpa Lane se masturbando com uma rosa é absolutamente antológica), ficaremos sabendo sobre uma condessa e sua relação com uma besta – misto de lobisomem e King Kong, cujo membro é algo que, realmente, não se pode definir com meras palavras. Escandaloso e muito divertido, o filme ainda trás algumas questões como a luta de classes, um padreco pedófilo, zoofilia e delírios eróticos no limite da escatologia (se bem que isso depende mesmo do ponto de vista e do senso de humor de cada um). Uma pequena obra-prima da subversão.
(Paulo Campagnolo – Coordenador do Projeto Um Outro Olhar)