07/12/2013 (SAB)
20h00
Projeto Um Outro Olhar apresenta o documentário “O Ato de Matar”.
Dinamarca/Reino Unido/Noruega/2012 – 159min. Direção: Joshua Oppenheimer.
Apresentação e Coordenação de Paulo Campagnolo.
Classificação 18 anos.
Entrada Franca.
Eleito pela revista inglesa Sight&Sound como o melhor filme de 2013, forte candidato a uma vaga no Oscar de Documentário 2014 e vencedor de mais de vinte prêmios internacionais neste ano, “O Ato de Matar” é um dos documentários mais atordoantes dos últimos tempos. Realizado pelo americano Joshua Oppenheimer entre 2005 e 2011, o filme traz entre os produtores executivos gente como Werner Herzog (do recente “A Caverna dos Sonhos Esquecidos”) e Errol Morris (de “Sob a Névoa da Guerra”) – o que já dá ao filme uma espécie de aval merecedor de mérito. Mas o fato é que Oppenheimer faz uma obra carregada de reverberações políticas, passíveis de serem lidas e apreendidas pelo estado de coisas contemporâneo. Ele volta-se para a Indonésia, nos anos 60 quando, em 1965, o governo de Sukarno foi deposto por um ditador chamado Suharto – que promoveu um verdadeiro massacre entre os comunistas, assassinando mais de dois milhões e quinhentas mil pessoas em dois anos. Oppenheimer encontra alguns desses assassinos, como Anwar Congo (que confessa ter matado mais de mil pessoas), que fora transformado em “gângster”, líder de uma milícia (Permuda Pancasila, que hoje conta com mais de 3 milhões de membros, entre eles líderes do governo, que extorquia, roubava, promovia fraudes eleitorais e corrupção, além de assassinatos. Congo e outros antigos membros dessa milícia dão ao filme seus depoimentos sobre aqueles tempos “gloriosos”, ao mesmo tempo que fazem a representação (num filme dentro do filme) de como eles matavam seus oponentes – em registro na beira do surreal e através de gêneros cinematográficos de suas predileções: gângster, musical e western Polêmico e complexo, “O Ato de Matar” gera um tremendo desconforto para o espectador, levantando questões como culpa e inocência, moral e perversidade. E quando os créditos finais começam a subir na tela, algo ali fará o espectador ficar ainda mais perplexo.