15/02/2014 (SAB)
20h00
Projeto UM OUTRO OLHAR: “Short Term 12”.
Classificação 16 anos.
Entrada Franca.
“Short Term 12”: EUA/2013 – 97min. Direção: Destin Daniel Cretton. Elenco: Brie Larson, John Gallagher Jr., Keith Stanfield e Kaitlyn Dever.
Trata-se de um raro exemplar do cinema independente americano que consegue, de forma inteligente, preencher uma espécie de vazio quando o assunto são temas de constrangedora delicadeza – desses que, não raro, poucos se atrevem a debruçar-se, e quando o fazem, carregam no recheio, isto é, no sentimentalismo. O filme mostra um centro de assistência social que cuida de adolescentes com enormes problemas de comportamento, gerados por famílias desestruturadas, abuso sexual, violência doméstica e abandono. O título do filme refere-se ao tempo de permanência no local. Lá trabalham alguns conselheiros, responsáveis em manter seguros esses adolescentes. Entre eles estão Grace (Brie Larson, em desempenho sensacional) e Mason (John Gallagher Jr.), que são namorados há alguns anos, mas não deixam isso se tornar público no local de trabalho. Do enfrentamento de uma rotina que pode ser muito dura com a tentativa de manutenção de certa sobriedade, virão os dramas pessoais que o diretor (e roteirista) envolve com perspicácia e tenacidade esses dois personagens absolutamente exemplares e, muitas vezes, surpreendentes. O tom naturalista e a levada de mudanças bruscas, entre o humor e o drama, revelam um diretor particularmente conectado com a necessidade de entender aquele universo – pelo qual ele mesmo passou quando trabalhou num lugar parecido – e dando a ele quase uma devoção documental.
Sem usar seus “objetos” (os adolescentes) para mera exploração emocional, Cretton traz dois deles para o primeiro plano: Marcus (Keith Stanfield) e a recém-chegada Jayden (Kaitlyn Dever). O primeiro está prestes a fazer 18 anos e terá de deixar a instituição. A segunda, de 14 anos e arisca como um animal, tem tendências suicidas. Em desempenhos surpreendentes dos jovens atores, eles irão funcionar como uma espécie de espelho para Grace – que, grávida e com a notícia do pai que em breve sairá da prisão, entra em colapso. Do gesto comum, capturado com grande força, o diretor nos revela as vulnerabilidades, as incertezas e as dores tantos dos mais jovens, quanto de seus “cuidadores” – que na altura de seus 20 e poucos anos, também precisam vasculhar seus abismos existenciais para seguir em frente. Um filme, no mais, repleto de calor e densidade, com algumas cenas de fazer o coração querer saltar pela boca.