01/03/2014 (SAB)
20h00
Projeto UM OUTRO OLHAR: “As Três Noites de Eva”.
Classificação 16 anos.
Entrada Franca.
“As Três Noites de Eva”: EUA/1941 – 94min. Direção: Preston Sturges. Elenco: Barbara Stanwick, Henry Fonda e Charles Coburn.
Uma das maiores comédias do cinema americano de todos os tempos. Um filme que prova o quanto Hollywood, hoje, é pura decadência. No ritmo alucinante da “screwball comedy”, a inteligência (e rapidez) dos diálogos repletos de conotações sexuais, as pernas magníficas de Barbara Stanwick (que enlouqueceram os homens também em “Bola de Fogo”, de Hawks, e em “Pacto de Sangue”, de Billy Wilder), o desempenho formidável de Henry Fonda e uma história de amor que, a despeito de suas extravagâncias, está entre as mais convincentes do cinema clássico. Fonda é Charles Pike, o herdeiro de um negócio de cervejas que está voltando de uma expedição no Amazonas com uma serpente rara. Stanwick é Jean Harrington, uma escroque atrás de um homem rico para depená-lo, com a conivência do pai, um falso coronel (o ótimo Charles Coburn, um dos grandes coadjuvantes do cinema americano). No navio que o levará de volta para casa, Jean trata logo de fazer o jovem milionário (e muito atrapalhado) se apaixonar. Uma única sequência (de quase 4 minutos e sem cortes) seria o suficiente para colocar o filme entre os grandes: Jean leva Charles à sua cabine e, com a desculpa de estar apavorada por causa da serpente de Pike (!!!), deita-se num divã e pede que ele a abrace forte – mas é ela quem o “agarra”, fazendo cócegas na sua orelha, despenteando-o e falando sobre seu homem ideal, enquanto ele literalmente se desmancha, sentado no chão e absolutamente apaixonado. A sequência toda é de uma energia sexual extraordinária e o filme todo irá, através de reviravoltas, funcionar como um grande embate físico entre macho e fêmea, com um final simplesmente saboroso. Inteligentíssimo, o filme dá uma “surra” nas comédias dramáticas contemporâneas e suas piadas e cenas escatológicas que fazem a delícia de uma geração sem cérebro. Bem, nem todos, é claro.
(Paulo Campagnolo – Coordenador do Projeto Um Outro Olhar).