15/03/2014 (SAB)
20h00
Projeto UM OUTRO OLHAR: “O Atentado”.
Classificação: 16 anos.
Entrada Franca.
“O ATENTADO”: Líbano/França/Qatar/Bélgica – 102min. Direção: Ziad Doueiri. Elenco: Ali Suliman , Uri Gavriel e Reymond Amsellem.
Proibido em 22 nações árabes, por ter sido filmado em Israel, o filme do libanês Doueiri (que foi operador de câmera em “Cães de Aluguel” e “Pulp Fiction”, de Tarantino) é um belo estudo sobre as relações conjugais em meio à delicada questão da identidade cultural.
O médico cirurgião Amin Jaafari (o ótimo Suliman de “Paradise Now”) é um palestino que, vivendo em Tel Aviv, conseguiu notoriedade na sua carreira e logo no começo do filme ele recebe um prêmio importante pela sua conduta como profissional. A esposa Sihan (Reymonde Amsellem), com quem está casado há 15 anos, lamentavelmente não pode comparecer ao evento porque fora visitar o avô em Nazaré. No dia seguinte, no Hospital onde trabalha, enquanto almoça, ouve-se o barulho de uma explosão. Logo começam a chegar mortos (17 no total, entre eles 11 crianças) e feridos que ele ajuda a socorrer. À noite, esgotado, de volta pra casa, chama pela esposa, mas ela não regressou.
De madrugada, um policial seu amigo lhe telefona e pede que vá ao Hospital. Lá ele terá de reconhecer o corpo de Sihan – ou o que restou do corpo dela.
E será confrontado com a informação da polícia de que fora Sihan a detonadora da bomba. Do choque inicial e do preconceito que se instala na sua vida logo em seguida, Amin tentará descobrir quem era essa mulher com quem estivera casado durante tantos anos e que, por fim, não conhecia. Na sua “investigação”, em Nablus, território palestino onde nasceu e ainda tem parentes, dos motivos que levaram sua esposa a cometer a atrocidade, virá o confronto entre sua identidade e a do seu povo, subjugado por Israel. Sem ser pró e nem contra os israelenses, o filme transita numa zona delicada que coloca em foco a ideia de uma possibilidade de convivência pacífica entre os dois povos. O que irritou profundamente as nações árabes foi exatamente o fato de Doueiri não rotular as relações entre as duas nações como “opressor” (israelenses) e “oprimido” (árabes).
E é isso que faz do filme uma profunda reflexão sobre um estado de coisas que transforma a identidade individual num campo minado político com intensas reverberações coletivas onde o meio termo não tem lugar. Também proibido no Líbano, “O Atentado” foi realizado no calor das manifestações que ocorreram no mundo árabe, em 2011. Inédito no Brasil.
(Paulo Campagnolo – Coordenador do Projeto Um Outro Olhar).