12/04/2014 (SAB)
20h00
Projeto UM OUTRO OLHAR: “O Gigante Egoísta”.
Classificação 16 anos.
Entrada Franca.
“O GIGANTE EGOÍSTA”: Reino Unido/2013 – 93min. Direção: Clio Barnard. Elenco: Conner Chapman, Thomas Swifty, Sean Gilder e Lorraine Ashbourne.
Na lista dos melhores filmes de 2013, o premiadíssimo “O Gigante Egoísta”, da inglesa Clio Barnard, é um soco no estômago. Desde o início do filme já prevemos que o inevitável (a tragédia) ali encontrará um lugar propício para se manifestar na vida de Arbor e de Swifty. Dois amigos, na casa dos 13 anos, vivendo em Bradford, no norte da Inglaterra, que não se dão bem na escola e começam um “negócio” como catadores de sucata – capitaneados por um “empresário” do ramo, o brutamontes Kitten (Sean Gilder). Das relações familiares fraturadas à metáfora de um mundo regido pelo poder do dinheiro, Barnard literalmente chafurda numa Inglaterra profunda, numa subclasse pós-industrial, onde o Estado não chega, lutando por dignidade às margens da economia global, através de seus dois pequenos personagens, símbolos de uma cegueira generalizada e anti-heróis da sobrevivência. Arbor, que sofre de distúrbios mentais e precisa tomar remédios, na medida em que percebe que Swifty está mais interessado em comandar o cavalo de Kitten em corridas (um desejo romântico de ser jóquei), torna-se cada vez mais ganancioso, chegando mesmo a roubar Kitten e metendo-se num negócio perigoso: roubar os fios de cobre das linhas de energia. Num registro que vai do neo-realista para a violência das relações, Barnard faz um pequeno grande filme político, emulando não apenas uma grande referência inglesa no que concerne à denúncia social, Ken Loach (do já clássico “Kes”), mas bem como o Antoine Doneil do mítico Jean-Pierre Léaud, em “Os Incompreendidos” de Truffaut. Seus dois pequenos atores principais, Conner Chapman (Arbor) e Swifty (Thomas Swifty), que nunca haviam feito cinema antes, são absolutamente fantásticos e o clima de permanente tensão faz do filme um objeto que dificilmente poderíamos indicar para alguém. Mas que todos deveriam ver, sem dúvida. Inédito no Brasil.