14/06/2014 (SAB)
20h00
Projeto UM OUTRO OLHAR exibe o filme “Johnny Guitar”.
Classificação 16 anos.
Entrada Franca.
EUA/1954 – 110min. Direção: Nicholas Ray. Elenco: Joan Crawford, Sterling Hayden, Mercedes McCambridge, Scott Brady e Ernest Borgnine.
Bem disse o meu mais que amado Godard: "Houve o teatro (Griffith), a poesia (Murnau), a pintura (Rossellini), a dança (Eisenstein), a música (Renoir). Daí em diante há cinema. E o cinema é Nicholas Ray". Idolatrado pelos franceses, Ray (1911-1979) nunca encontrou “seu lugar” na América. E não seria exagero (ou romantismo exacerbado) dizer que o “lugar” de Ray é mesmo no coração. “Johnny Guitar” é o mais estranho, barroco, sexualmente histérico e inesperado western de todos os tempos. Não seria exagero dizer, ainda, que aqui a Ópera foi para o velho Oeste e encontrou razões inequívocas para “fincar” seu pé e disparar uma saraivada de eventos, cores e vozes que, passados 60 anos, continuam deixando perplexos os espectadores. Para aqueles que amam este filme, pouco resta a dizer – ele se torna um vício ao qual retornamos de tempos em tempos porque o assombro estará sempre lá, como uma droga que nos leva para “lugares” estranhos, sedutores, frenéticos. Para aqueles que ainda não o conhecem (e quase ouso dizer: dio santo! Mas em que planeta vocês estiveram este tempo todo?), é preciso uma entrega incondicional. Porque “Johnny Guitar” é um amálgama de paixões violentas, de cores vibrantes, de uma coreografia que nem o mais sublime musical poderia ser capaz, de inversões e de uma felicidade em relação ao cinema que não tem nome, não pode ser mensurada. A única coisa a ser feita é ajoelhar-se e deixar que as imagens fascinantes, e seus personagens em desvario, nos embriaguem ao ponto de perdermos o chão, o juízo, o senso. Não use drogas, caro espectador. Use “Johnny Guitar”. Tenho certeza que será o suficiente para uma vida inteira.
(Paulo Campagnolo - Coordenador do Projeto Um Outro Olhar)