28/06/2014 (SAB)
20h00
Projeto UM OUTRO OLHAR: “SÍNDROMES E UM SÉCULO”.
Classificação 16 anos.
Entrada Franca.
Tailândia/França/Áustria/2006 – 105min. Direção: Apichatpong Weerasethakul. Elenco: Nantarat Sawaddikul, Jaruchai Iamaram, Sophon Pukanok, Jenjira Pongpas, Arkanae Cherkam.
Em pesquisa recente, “Síndromes e Um Século” foi eleito o melhor filme do Século 21. Isso talvez pudesse servir de “amparo” para o espectador. No fundo, o que importa uma pesquisa ou mesmo uma lista de “melhores”? O fato é que Apichatpong Weerasethakul é um dos artistas mais fascinantes do cinema recente. É fácil dizer isso depois de ver seus filmes: obras em aberto onde a narrativa é basicamente substituída pelas sensações. Longe dos estúdios, de grandes orçamentos e de “aparatos” comercias sedutores, o cinema deste tailandês inclassificável nos devolve a “fortuna” inestimável de certos diretores do passado, com seu misto de inocência e espiritualidade. Com personagens que parecem flutuar em cena, “Síndromes e Um Século” é baseado na vida do pai e da mãe de Weerasethakul – ambos médicos na Tailândia. Impossível contar a “história”. Impossível apreender a “história”. Dividido em duas partes (tal qual o seu extraordinário “Mal dos Trópicos”, de 2004), o filme faz da memória seu condutor: repetindo, retornando, reiterando cenas e “eventos” num painel que tem como objeto um hospital e a demanda de “doenças” que ali se instala. Num determinado tempo e num outro determinado tempo. Determinações que esbaram numa indeterminação tão hipnótica e repleta de langores que parece que estamos a ver um filme de fantasmas. Fantasmagoria: eis um jeito, digamos assim, de “colocar” o cinema de Apichatpong num certo “lugar”. Mas não será tão simples assim. “Síndromes e Um Século” é um filme que olha para o mundo procurando a liberdade. Um cinema, no mais, que exige uma mente livre de noções pré-concebidas e do desejo de ilusões fáceis. Um cinema, certamente, maior do que a vida.
(Paulo Campagnolo – Coordenador do Projeto UM OUTRO OLHAR)