15/09/2014 (SEG) até 19/09/2014 (SEX)
08h00 às 21h00
EXPOSIÇÃO: “A fotografia e a representação da violência”, por Tom Lisboa.
Em seu livro “O Gene Egoísta”, o biólogo britânico Richard Dawkins compara nossos genes a “gangsters” de Chicago, implacáveis quando a questão é a própria sobrevivência. De acordo com sua teoria, foram destes genes que compõem nossos corpos que herdamos a necessidade por disputas, a agressividade e, claro, a violência. Já o amor e o bem-estar universais da espécie, por mais que desejemos acreditar ao contrário, eles simplesmente não têm sentido na evolução.
Na literatura, assim como em qualquer forma de arte, o ponto de vista de um artista/escritor é território de um (bem-vindo) conflito porque desestabiliza a ordem vigente e propõe um novo tipo de equilíbrio. A 33ª Semana Literária do SESC Paraná aborda a representação da violência, um tema que temos contato desde os primeiros contos infantis. O curador Luís Henrique Pellanda amplia ainda mais este espectro: “das caçadas que pintamos nas cavernas, aos maiores sucessos de Hollywood, passando por vários relatos bíblicos, há sangue e horror na crucificação de Cristo, nos mitos de fundação, na Ilíada e na Odisseia”. A violência nos move.
As fotos que produzi para a 33ª Semana Literária do SESC Paraná foram desenvolvidas racionalmente, como se estivesse seguindo um plano. Aqui não há espaço para o acaso, assim como para contemplação das paisagens ou admirar seres humanos em atividades cotidianas. Livros foram cortados, queimados, reagrupados para alcançar a composição almejada. A violência, além da temática, serviu também como ferramenta de produção artística.
Para homenagear o patrono do evento, Domingos Pellegrini, optei por desenvolver “azulejos” com capas de cinco livros de sua autoria. Entre eles estão seu livro de estreia, “O Homem Vermelho”, e a referência à sua produção para o universo infanto-juvenil, como “A Árvore que Dava Dinheiro”. Estes “azulejos”, ludicamente, podem ser combinados de infinitas formas, criando novos efeitos e composições geométricas. O que vemos é apenas uma das possibilidades deste caso. Sim, este crime não tem solução.
Já para a obra de Rubem Fonseca, que se destacou por narrar com cinismo e distanciamento crítico os crimes, a violência e toda a tragédia social carioca, optei por fazer uma alusão mais direta às vítimas, especialmente as que habitam seus livros. Recortadas (e quase queimadas) a laser, estas “vítimas” literalmente saltaram das páginas carregando textos em seus corpos. Nesta instalação, que teve como ponto de partida “Buffo & Spallanzani”, o espectador cumpre também o papel de cúmplice em um assassinato.