Projeto UM OUTRO OLHAR: Conversas sobre Cinema Realizado

Projeto UM OUTRO OLHAR: Conversas sobre Cinema

Quando

01/11/2014 (SAB)

Horários

20h00

Programação


CONVERSAS SOBRE CINEMA.

Primeiro Tema: "DESENCANTO".

Classificação 18 anos.

Entrada Franca.

Depois de 14 anos (completados em outubro passado) exibindo filmes e realizando debates com a mediação desses filmes, o Projeto Um Outro Olhar inicia neste sábado uma série chamada “Conversas Sobre Cinema”, com o objetivo de discutir com mais acuidade (e tempo) questões referentes ao cinema e suas “promessas”. Dos primórdios à fase clássica, do moderno ao contemporâneo, “remontar” a história do cinema, seu legado, suas perspectivas históricas, seus movimentos e os dilemas do cinema atual face ao espírito do nosso tempo. Uma discussão que tentará acercar-se de inúmeros “detalhes” do fazer cinematográfico e de sua relação com a literatura, com as artes plásticas, a fotografia, o teatro e a música. Em tempo: existem aqueles que não consideram o cinema uma arte. E fica realmente difícil discutir com os que pensam assim, uma vez que, por exemplo, se o mundo nos deu Dostoiévski e Herman Melville, como poderia se encaixar neste mesmo mundo alguém como Paulo Coelho ou a autora (sic) de Harry Potter (cujo nome fico feliz de não lembrar)? Ora, não é difícil perceber que o que fazem esses dois últimos é puro lixo. Da mesma maneira como a música nos deu Bach, Mozart e Beethoven, como poderíamos “ousar” colocar no mesmo “movimento” essa praga chamada sertanejo (apenas para citar um “gênero”) e suas duplas de calças apertadas, que levam ao delírio os fetichistas sexuais, suas bundas rebolando (não é por demais feio um homem rebolando? Quer dizer, você tem que estar muito "chapado" pra achar isso bonito) e aquelas letras de uma “sagacidade” impressionante sobre beber, pegar mulher e tchetchereretchetchê (ou coisa que o valha)? Lixo! Como colocar no mesmo lugar um Da Vinci, um Michelângelo ou mesmo um Matisse, junto com um Jeff Koons e um Romero Britto? Impossível. É como querer procurar alguma coisa valiosa no meio de um monte de... Bem, vocês entenderam. E como, por fim, juntar no mesmo “suporte” a beleza transcendental de um Yasujiro Ozu, de um Dreyer, de um Tarkóvski, e o Renoir, o Antonioni, o Bergman, e a Greta Garbo, o Kurosawa, o gênio de Chaplin e o gênio de Jean Vigo, com a avassaladora enxurrada de lixo que cobre 99% (para ser gentil) das salas de cinema do mundo? Difícil. Bem difícil. Claro, alguns logo vão proferir aquele discurso sobre democracia e o famoso “tem lugar para todos”. Mas pensem, é muita gente e muita vaidade (um mal deste século). Hoje todo mundo faz cinema, todo mundo é escritor, todo mundo grava um CD (mesmo aqueles que mal sabem falar, que dirá cantar), todo mundo tem blog, todo mundo tem um projeto de exibição de filmes, todo mundo sabe sobre tudo e pinta e borda e chama o que faz de “arte”. E sem vergonha nenhuma exibe o seu “trabalho” para quiser “comprar” E compradores é o que não falta. Hoje em dia todo mundo quer ser celebridade. Nem que seja por apenas alguns minutos, no Youtube, e depois passam o resto da vida acreditando que aquele lá de cima (o “Cara Cavada”, como diria Hilda Hilst) escreve certo por linhas tortas. Ora, isso é uma crença na imbecilidade. E uma “crença” também facilmente aceita. Pensem nas comédias brasileiras recentes. Pensem numa penca de filmes franceses que colocaram no berço do Iluminismo mais de 20 milhões de espectadores nas salas de cinema. Pensem nas falcatruas de alguns diretores americanos (cujos nomes é melhor nem citar para que eu não sofra um atentado) considerados “sérios”. Pensem no Nelson Rodrigues quando ele dizia “a unanimidade é burra”. Pensem em Hiroshima. Pensem em Auschwitz. Pensem em Ruanda. Pensem na Palestina. Pensem nos índios. Pensem na História. Pensem nas repetições. Pensem. Sei que “perambulo” entre as coisas, mas penso que o “Conversas Sobre Cinema” pode, no seu primeiro momento, estabelecer essas culminâncias com as idiossincrasias do mundo para tentar encontrar uma afetividade capaz de colocar o cinema num lugar onde é possível pensar e crescer – longe da superficialidade que move o mundo, longe da boçalidade galopante que parece reinar na nossa tão desencantada “humanidade”. Pensem, cresçam e apareçam.

Paulo Campagnolo é Coordenador do Projeto Um Outro Olhar.



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