12/07/2015 (DOM)
17h00
CONVITE AO CINEMA: ''O Justiceiro''.
Classificação 14 anos.
Entrada Franca.
Filme: “O JUSTICEIRO”. (“Boomerang”) EUA/1947 – 88min. Direção: Elia Kazan. Elenco: Dana Andrews, Jane Wyatt, Lee. J. Cobb e Karl Malden.
Antes de se tornar o célebre diretor de “Uma Rua Chamada Pecado” (51), “Sindicato de Ladrões” (54), “Vidas Amargas” (55) e “Clamor de Sexo” (61), entre outros – e antes de ter se tornado talvez o mais famoso delator no episódio vergonhoso do Caça às Bruxas americano –, Elia Kazan (1909-2003) já havia realizado um belo e sério trabalho de denúncia social com “O Justiceiro”. No seu terceiro filme, Kazan já demonstra certas habilidades que o colocariam, algum tempo depois, entre os mais importantes “renovadores” do cinema americano (juntamente com Nicholas Ray, Samuel Fuller e Robert Aldrich). Baseado num caso real, ocorrido nos anos 20, o filme acompanha a caçada a um criminoso que teria assassinado o padre da cidade. Preso o suspeito e, depois de dias de interrogatório (realizado à base de arbitrariedades motivadas pela pressão dos políticos locais), John Waldron (Arthur Kennedy) acaba confessando o crime e é levado a julgamento. Henry Harvey, o promotor público (papel de Dana Andrews, famoso por filmes como “Consciências Mortas” e “Laura”), contudo, na medida em que o processo todo se desenrola, acaba por duvidar da culpa de Waldron. Realizado como uma reportagem, o filme acabou ganhando a alcunha de “doc-noir” com o tempo. Com um roteiro enxuto e direção equilibrada, Kazan realiza um vigoroso estudo sobre a mentalidade de uma pequena cidade cujas premissas políticas ultrapassam a ética e querem derrotar a justiça com os interesses pessoais acima do coletivo. Quer dizer, nada de muito novo para nós. E, convenhamos, cada país tem os políticos que o povo merece (ops! que o povo elege, eu quis dizer). No mais, “O Justiceiro” é um filme empolgante – coisa rara hoje em dia.
Paulo Campagnolo – Coordenador do Convite ao Cinema