02/08/2015 (DOM)
17h00
PROJETO CONVITE AO CINEMA: "Almas Perversas".
Classificação 14 anos.
Entrada Franca.
Filme: "ALMAS PERVERSAS". (Scarlet Street) EUA/1945/103min. Direção: Fritz Lang. Elenco: Edward G. Robinson, Joan Bennett e Dan Duryea.
Uma das obras-primas do alemão Fritz Lang (de "M – O Vampiro de Düsseldorf" e "Fúria" – ambos já exibidos pelo Convite ao Cinema), na sua fase americana, "Almas Perversas" recebeu, na sua estreia, os piores adjetivos possíveis: indecente, obsceno, imoral, licencioso, ofensivo, desumano, subversivo, contrário à ordem e aos bons costumes, sórdido, antiético, sacrílego e capaz de incitar ao crime. Foi proibido em inúmeras cidades americanas (Milwaukee e Atlanta, por exemplo) e em alguns estados como Nova York. Por tudo isso, o filme já seria um prato cheio. Mas, é claro, o gigantesco talento de Lang não nos permitirá vislumbrar apenas o lado "negativo" desse trabalho – sua estrutura dramática, sua atmosfera de intensa perversidade, os atores e o roteiro, com algumas soluções incríveis e um final que é um verdadeiro soco no estômago, faz do filme uma experiência inesperada para os padrões americanos dos anos 40. Edward G. Robinson (famoso pelos filmes de gângster dos anos 30 e que roubava a cena em "Pacto de Sangue", de Billy Wilder), é Christopher Cross, um homem solitário (apesar de ser casado – com uma mulher que não o leva a sério), pintor nas horas vagas e que tem uma vida enfadonha como caixa de uma loja de roupas há mais de 25 anos. Um dia, ao voltar para casa depara-se com uma mulher sendo atacada na rua por um homem. Ao defendê-la, mal pode adivinhar que ficará brutalmente enredado numa trama violenta, perpetrada pela garota (Joan Bennett, uma inescrupulosa femme fatale) e pelo namorado desta, Johnny (Dan Duryea em ótima performance). Baseado em livro de George de La Fouchardière, que foi levada ao cinema em 1931 pelo grande Jean Renoir com o título (bem propício) de "A Cadela", o filme de Lang é um esplendor de imagens corrosivas sobre a condição humana e suas susceptibilidades para a maldade, para as fraturas morais, para a cidade como palco da corrupção, para a impossibilidade do afeto, para a vilania e uma insidiosa sordidez capaz de corromper qualquer inocente. Um grande filme!
Paulo Campagnolo – Coordenador do Convite ao Cinema
Apoio: Jornal O Diário e Maringá.Com