30/08/2015 (DOM)
17H00
PROJETO CONVITE AO CINEMA: "O Beijo Amargo".
Classificação 16 anos.
Entrada Franca.
Realização: Secretaria de Cultura de Maringá
Apoio: Jornal O Diário e Maringá.Com
Filme: "O BEIJO AMARGO": (The Naked Kiss) EUA/1964/91min. Direção: Samuel Fuller.
Elenco: Constance Towers, Anthony Eisley e Michael Dante.
Desde a primeira sequência de "O Beijo Amargo", saberemos que estamos em território inóspito e violento. Trata-se de uma das aberturas mais incríveis da história do cinema. Um dos mais negligenciados filmes americanos de sempre, realizado pelo "contrabandista" Samuel Fuller (1912-1997), segundo um entusiasmado Martin Scorsese, "O Beijo Amargo" é fascinante pelo seu tom selvagem, pelos estranhamentos e pela maneira direta com que Fuller muda o seu foco, enganando o espectador e realizando uma das obras mais marcantes sobre a mentalidade da sociedade americana. Constance Towers (atriz "estranhíssima" que já havia trabalhado com Fuller na obra-prima "Paixões Que Alucinam", de 63), é a prostituta Kelly que, depois de ser traída por um cafetão, resolve mudar de cidade e vai para a pequena e pacata (ma non troppo) Grantville. Chegando lá, como "vendedora" de um champagne especial, envolve-se com o delegado local – que logo em seguida a alerta sobre a "impossibilidade" da sua profissão naquela cidade tão "inocente". Decide mudar de vida e vai trabalhar num hospital, ajudando na recuperação de crianças com deficiências. Conhece o ricaço local J.L. Grant (Michael Dante), benfeitor do Hospital onde trabalha, e os dois se apaixonam. Mas por trás de todas as aparências, escondem-se segredos perversos que nem mesmo a tranquilidade e a suposta perfeição do lugar poderiam esconder para sempre. E Kelly se tornará a "agente emancipadora" que tornará visível, para todos, que "as aparências não enganam jamais" (segundo Oscar Wilde), desde que você olhe para as coisas, os fatos e as pessoas com muita atenção. Fuller, um emblema do cinema, era um cara de poucas palavras – ia sempre direto ao ponto. Seu trabalho é uma referência explícita para inúmeros cineastas. Seu legado, no entanto, deixa no chinelo aqueles que tentaram imitá-lo com as distrações e os efeitos do cinema contemporâneo. "O Beijo Amargo" é uma verdadeira porrada. E que Deus salve a América! (Paulo Campagnolo – Coordenador do Convite ao Cinema).