13/09/2015 (DOM)
17h00
CONVITE AO CINEMA: "Força do Mal".
Classificação 14 anos.
Entrada Franca.
Filme: "FORÇA DO MAL". (Force of Evil) EUA/1948/78min. Direção: Abraham Polonsky. Elenco: John Garfield, Thomas Gomez, Beatrice Pearson, Marie Windsor e Roy Roberts.
O tempo pode ser, muitas vezes, arrasador para determinados filmes. Para outros, no entanto, torna-se um grande aliado. E esse é o caso de "Força do Mal", de Abraham Polonsky. Decorridos quase 70 anos, o filme é um dos mais poderosos já realizados nos Estados Unidos, com forte impacto emocional e uma séria referência para grandes diretores surgidos depois. Vale lembrar, de antemão, que o diretor Polonsky (1910-1999) foi um dos nomes mais famosos a ter seus direitos suspensos depois de ter sido denunciado e colocado na lista negra (por não ter confirmado ou desmentido sua filiação ao Partido Comunista) do "Caça às Bruxas", em 1951. Impedido de trabalhar, emigrou para a Europa. Só voltaria 20 anos depois com um certo sucesso do seu "Willie Boy" (com Robert Redford). De volta à Europa, fez apenas mais um filme e se aposentou. "Força do Mal", seu primeiro filme, é uma denúncia incisiva sobre a perversidade do capitalismo. John Garfield (de "O Destino Bate à Sua Porta"), em seu maior desempenho, é o ambicioso e inescrupuloso Joe Morse, um advogado que trabalha para um chefão do crime organizado que pretende unificar todas as casas de apostas ilegais de Nova York, num único e grandioso negócio. Para isso, os pequenos "bancos" terão de ser eliminados. Mas entre esses, está o do irmão mais velho de Joe, Leo Morse, que o criou e a quem não vê há muito tempo. Num plano asqueroso, Leo vai se transformar no bode expiatório para a tramoia de Joe e de seu chefe, Ben Tucker. Mas as reverberações disso poderão desestabilizar emocionalmente o jovem advogado, principalmente por conta de uma garota (Marie Windsor), que é considerada como uma filha para o seu irmão. Retrato impiedoso da corrupção, "Força do Mal" é um grande filme político que traz ainda, no seu "coração", um equilíbrio inesperado entre a violência e a poesia, uma postura estética incrível e o apelo popular (para a época, ao menos) do seu astro – cujo "valor" também só cresceu com o tempo. Com cenas marcantes, é um grande clássico a ser redescoberto.
(Paulo Campagnolo é Coordenador do Convite ao Cinema)