28/09/2015 (SEG) até 02/10/2015 (SEX)
LITERATURA: 34ª Semana Literária Sesc.
O tema da 34ª Semana Literária Sesc Paraná, Poesia na cidade, cidade na poesia, não significa que vamos tratar de poesias feitas sobre cidades. Vamos falar, sim, da poesia moderna que surgiu no final do século XVIII pela influência que as grandes cidades, então emergentes, causaram nos poetas. Saem de cena os temas românticos, os artistas que morriam de tuberculose e tristeza, entram em seu lugar os desbocados, inconformados, combativos, aqueles para quem a ordem do dia era, justamente, ir contra a ordem vigente. A modernidade subverteu regras pré-estabelecidas, especialmente, no que diz respeito à arte.
Autor homenageado na Semana Literária, Manoel de Barros, o ‘Poeta do Pantanal’ (título que detestava), morava em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, em uma casa ampla e bem localizada, com todos os confortos da vida moderna. Em seu pequeno escritório, fazia gato e sapato com a Língua Portuguesa, mudava palavras de lugar, virava-as de avesso no sentido. Um poeta extremamente moderno apesar de falar de temas rurais como a chuva, o caracol, a formiga, o menino, os bois.
Alice Ruiz, poeta curitibana, patrona da Semana Literária, já nasceu no contexto da modernidade e foi naturalmente influenciada: viveu os loucos anos 70, militou pelo feminismo, foi casada com um dos maiores poetas brasileiros – Paulo Leminski (1944-1989), com quem teve três filhos. Tem mais de 20 livros publicados, muitos deles de haicais – forma poética inaugurada pelo japonês Bashô (1644-1694), caracterizada por poemas curtos de três linhas –, e diversas canções gravadas por parceiros como Zélia Duncan e Arnaldo Antunes.
Com esse espírito, a programação está recheada de poetas. Bruna Beber, Bárbara Lia, Chacal, Claufe Rodrigues, Elisa Lucinda, Geraldo Carneiro, Nicolas Behr, e a própria Alice Ruiz garantem leveza e reflexão, beleza e impacto aos temas sugeridos – todos inspirados em versos do autor homenageado e da patrona. Mesmo os escritores convidados flertam com a poesia, seus contos e romances – como é o caso de Marcelino Freire e João Carrascoza, cujas narrativas são quase prosa poética –, e com a música – como é o de Braulio Tavares, Carlos Machado, Estrela Leminski e Marcelo Sandmann. A contemporaneidade está garantida com a presença de João Paulo Cuenca, autor brasileiro cuja obra desperta cada vez mais interesse no exterior atualmente.