20/02/2016 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
CONVITE AO CINEMA: "Listen to me Marlon".
Filme: "LISTEN TO ME MARLON". EUA/2015 – 103min. Direção: Stevan Riley. Documentário. Elenco: Marlon Brando.
Classificação 16 anos.
"LISTEN TO ME MARLON" - O homem por trás do mito. Talvez essa seja uma maneira simplista, mas eficaz, de traduzir o conteúdo de "Listen to me Marlon". Com um trabalho de edição primoroso, Stevan Riley realizou aquele que já pode ser chamado de um "retrato definitivo" sobre a persona do maior ator de cinema de todos os tempos. Da infância, à chegada à Nova York, dos primeiros passos no teatro ao choque causado pela estreia em "Um Bonde Chamado Desejo" (sob direção de Elia Kazan), do primeiro Oscar (por "Sindicato de Ladrões", em 54) ao retorno triunfal em "O Poderoso Chefão" (seu segundo Oscar, que foi rejeitado), dos fracassos de muitos filmes, às tragédias pessoais, temos em "Listen to me Marlon" o ponto de vista, única e exclusivamente, do próprio Marlon Brando. O filme foi realizado a partir de material gravado em fitas K7 que Marlon fez durante boa parte da vida, e de muitas filmagens inéditas. Não há entrevistados, nem entrevistadores. Há apenas Marlon Brando. O retrato é corrosivo, para dizer o mínimo. Mas toca o sublime quando, de forma emocionante, Marlon se revela, se desnuda, entregando o homem e não mais o ator, a celebridade, o irascível, o temido, o oportunista. Imagens controversas e inesperadas de alguém muito engajado politicamente (nos direitos civis, na luta dos negros americanos nos anos 60, além da defesa dos índios) ajudam, de forma inequívoca, a nos dar um "outro olhar" para uma das personalidades mais discutidas do mundo do cinema, no século 20. Alguém que nunca "abraçou" Hollywood e que repudiava o método perverso que a indústria do cinema empunha. Alguém que quis ser livre, mas precisava de dinheiro. E, por isso, se meteu em "enrascadas" (como "O Grande Motim" e "Candy", entre tantas outras) apenas para continuar vivendo e dar conforto á sua família. Alguém que teve coragem de reinventar como ator no trabalho extraordinário (e polêmico) em "O Último Tango em Paris" (quando, diz ele, foi "violado" por Bertolucci) e no controverso "Apocalypse Now" (de Coppola), onde aparece apenas no final e, talvez por isso mesmo, acaba por dar ao filme a qualidade rara de épico existencialista inigualável. Por fim, "Listen to me Marlon" é o retrato brilhante de alguém que se fez contraditório para manter a sanidade. Para muitos, Marlon Brando era um grande ator. Para mim, ele é simplesmente DEUS!
(Paulo Campagnolo – Coordenador do Convite ao Cinema)