04/06/2016 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
CONVITE AO CINEMA: “Paixões em Fúria”.
Classificação 16 anos.
“Paixões em Fúria” - ("Key Largo") EUA/1948 – 100min. Direção: John Huston. Elenco: Humphrey Bogart, Edward G. Robinson, Lauren Bacall, Claire Trevor, Lionel Barrymore e Thomas Gomez.
Nada como um belo clássico para lustrar os móveis empoeirados da memória. Retornar a eles é sempre um prazer porque nos ensinam como contar uma boa história e ressuscitam, aos menos por quase duas horas, aqueles que amamos. Bem, falo por mim, evidentemente. "Paixões em Fúria" é uma obra-prima de sutilezas: do roteiro de Huston e Richard Brooks (baseado em peça de Maxwell Anderson), da fotografia (do mestre Karl Freund, com suas angulares e a beleza de suas tomadas em profundidade de campo), das atuações mitológicas de Bogart, Robinson e Claire Trevor (vencedora do Oscar de coadjuvante) e da direção impecável de Huston, temos um clássico que se entrega, entre o drama e o noir mais violento, a vasculhar esses lugares nem tão recônditos assim onde convivem recordações de guerra, a brutalidade, a corrupção, a ganância e o sadismo. Numa ilha na Flórida, uma gangue, liderada por Johnny Rocco (Robinson em grande performance), toma de assalto um hotel que está praticamente vazio devido à temporada de furacões na região. Lá se encontra Frank McCloud (Bogart), ex-combatente de guerra que fora visitar o pai e a esposa de um amigo morto em combate. A trama toda se passa, basicamente, dentro do hotel e o trunfo de Huston na direção consiste exatamente em criar um ritmo narrativo envolvente, tenso e com um show dos atores, sem trégua para os espectadores. Contudo, para quem quiser ver, o filme traz um subtexto político muito pertinente à sua época (e, talvez, até para hoje, mudando apenas o contexto): o medo de que, como acontecera depois da Primeira Guerra onde a complacência em relação ao banditismo "ajudou" a América a prosperar, voltasse à tona no rescaldo da Segunda Grande Guerra, com a afirmação da defesa dos próprios interesses – e que levou os Estados Unidos á vitória e a uma hegemonia que atravessou os tempos. Portanto, uma alegoria velada sobre as escolhas americanas em detrimento do mundo. Um grande filme. (Paulo Campagnolo – Coordenador do Convite ao Cinema)