23/07/2016 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
CONVITE AO CINEMA: "O Homem que Matou o Facínora".
Classificação 16 anos.
Filme: "O Homem que Matou o Facínora" - ("The Man Who Shot Liberty Valance") EUA/1962 – 123min. Direção: John Ford. Elenco: James Stewart, John Wayne, Vera Miles, Lee Marvin e Edmond O'Brien.
John Ford (1895-1973) é simplesmente uma lenda. Considerado por muitos como o maior de todos os cineastas americanos. Aquele que deu ao western um status artístico com o fabuloso "No Tempo das Diligências" (1939) e que, ao longo de uma carreira de quase 60 anos, enalteceu os valores da América em filmes emblemáticos como "Ao Rufar dos Tambores", "Paixões dos Fortes", "Sangue de Heróis", "Caravana de Bravos", "Rio Bravo", "Rastros de Ódio" (obra-prima), "Marcha de Heróis", "Terra Bruta" e "O Homem eu Matou o Facínora", entre tantos outros. Obra-prima do final da carreira, "O Homem Que Matou o Facínora" é um western atípico, um filme que pensa e questiona o papel dos mitos que forjaram as lendas do velho Oeste americano, impondo, assim, uma espécie de comentário político sobre a sociedade daquele país e suas representações sobre a imprensa livre, os debates entre o povo e o Estado e a influência da educação como grande legado. O formidável James Stewart interpreta o senador Ransom "Ranse" Stoddard que, junto com a esposa (Vera Miles – de "Psicose"), chega á cidade fronteiriça de Shinbone para o funeral de um fazendeiro local, Tom Doniphon (John Wayne). Questionado por um jornalista do porque viajara de tão longe para aquele "evento" comum, Ranse conta a sua história que remonta 25 anos atrás. Narrado em flash-backs, voltamos ao passado para ver a chegada de Ranse na cidade, ainda como um advogado, e das surpresas que irá enfrentar num lugar no meio do nada, ainda se fazendo, as amizades, o interesse amoroso e o caso Liberty Valance (Lee Marvin), um homem sem escrúpulos e com enorme prazer na violência. Filmado em preto-e-branco (com fotografia belíssima de Willian H. Clothier) na perfeição de seus planos estáticos (típicos de Ford), com dois dos maiores astros do cinema americano, Wayne e Stewart (trabalhando juntos pela primeira vez), Ford transcende o gênero com maestria, fornecendo, numa frase, a chave para o entendimento perfeito daquele tempo e lugar: "quando a lenda se torna fato, imprima-se a lenda". É um filme grandioso, como grandiosas são as paisagens do Oeste americano.
(Paulo Campagnolo - Coordenador do CONVITE AO CINEMA)