27/05/2017 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
CONVITE AO CINEMA: "O Pântano".
Filme: "O Pântano" - Argentina/Espanha/França/2001 – 96min. Direção: Lucrecia Martel.
Elenco: Graciela Borges, Mercedes Morán, Daniel Valenzuela e Sofia Bortolotto.
Realização: Secretaria de Cultura de Maringá.
Apoio: Maringá.Com, Jornal O Diário e RPC.
Classificação 16 anos. Entrada Franca.
"O Pântano": Da primeira à última cena, do primeiro ruído, às últimas palavras, "O Pântano", de Lucrecia Martel, absorve-nos na sua estagnação, na sua umidade, no seu princípio de tragédia (anunciada por vias tortas), na derrocada alienante de suas personagens que se arrastam lânguidos, bêbados e suados em torno de uma piscina de águas podres. Festejado como obra-prima, o filme foi o trabalho mais emblemático de um novo cinema argentino, que surgiu no final da década de 90 e que traduzia os anseios de um país em plena crise (econômica, política e, por consequência, moral). Radical na sua atmosfera pegajosa e perturbador no uso sofisticado do extra-campo (de sons e imagens), o filme narra alguns dias de um verão sufocante entre duas famílias, na província de Salta. Mecha e Tali são primas. Ambas têm quatro filhos. Mecha mora num sítio com uma plantação de pimentões. Tali vai com a família para o sítio. As crianças brincam, correm. Por vezes adentram a floresta misteriosa ao redor. Os filhos mais velhos, de Mecha, esparramam-se pelas camas. Pulsões sexuais aqui e ali. Latências incestuosas. A adolescente Momi parece apaixonada pela criada. Questões de classe. Violência silenciosa em todos os âmbitos. Um desconforto. Um sentimento de constante inquietação. Um mundo apartado na estranheza absurda daquilo que é considerado banal e cotidiano. Acidentes, cicatrizes. Detalhes. Tudo reside nos detalhes. Corpos deslocam-se diante da câmera, desaparecem em meio a uma cena. Uma observação profunda do tempo e seus langores. Com seus filmes seguintes, "A Menina Santa" (2004) e "A Mulher Sem cabeça" (2008), Martel radicalizaria ainda mais seus "princípios". Eles reforçam uma voz original e um agudo senso de observação do mundo. "O Pântano" é, em última instância, um filme absolutamente assustador.
(Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do CONVITE AO CINEMA)