25/03/2017 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
CONVITE AO CINEMA: "Um Amor Tão Frágil".
Filme: “UM AMOR TÃO FRÁGIL” - Suíça/França/Alemanha/1977 – 108min. Direção: Claude Goretta. Elenco: Isabelle Huppert, Yves Beneyton e Florence Giorgetti.
Realização: Secretaria de Cultura de Maringá
Apoio: Jornal O Diário, Maringá.Com e RPC
Classificação 16 anos
Em 2016 o nome de Isabelle Huppert foi notícia mais uma vez, não por conta de algum filme, mas por conta “do” filme – “Elle”, do holandês Paul Verhoeven. Ele desejava fazer o filme nos Estados Unidos, mas chegou à conclusão que não encontraria nenhuma atriz que topasse a empreitada. Resolveu filmar na França. Resolveu chamar Isabelle. Uma escolha mais do que sábia. Aos 63 anos, Isabelle prova (sem ter mais nada para provar, é certo), em “Elle”, que a idade não é nenhum empecilho quando se está a serviço de algo muito mais contundente do que o mero entretenimento. Seu trabalho é impressionante – como é impressionante a sua ousadia, a lista de atuações e a lista de prêmios. Candidata ao Oscar este ano, era certo que não venceria. Afinal, Hollywood e os americanos, de forma geral, são caretas demais para aquilo que é visto em “Elle”. Quarenta anos atrás, Huppert já nos dava indícios de como ela acabaria se transformando numa das maiores atrizes da história do cinema. Dirigido pelo suíço Claude Goretta (87), “Um Amor Tão Frágil” traz Isabelle em seu primeiro papel como protagonista. Ela é Béatrice, uma jovem simples que trabalha num salão de beleza e tem como melhor amiga a efusiva Marylène (a ótima Florence Giorgetti). Quando Marylène leva o fora do namorado (casado), ela resolve viajar de férias com Béatrice até uma praia na Normandia. Lá, Béatrice conhecerá seu primeiro amor, o jovem estudante burguês François. Com delicadeza extrema, Goretta consegue aquilo que está cada vez mais raro no cinema: filmar o invisível, a realidade interior de uma personagem. Enganadoramente simples, o filme traça, com um roteiro inteligente, comentários que vão desde a questão de classes (numa alegoria marxista das mais potentes), até a perda da inocência – com reverberações politico-filosóficas inequívocas graças à delicada mise-en-scène de Goretta. Um filme arrebatador e com Isabelle em performance inesquecível. Uma das muitas de uma carreira brilhante.
(Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do Convite ao Cinema)