17/06/2017 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
CONVITE AO CINEMA: "It Follows".
"It Follows" - EUA/2014 - 100min. Direção: David Robert Mitchell. Elenco: Maika Monroe, Keir Gilchrist e Daniel Zovatto.
Classificação 16 anos. ENTRADA FRANCA.
Não é difícil encontrar no cinema independente americano belíssimas surpresas. "It Follows" é uma delas, e foi, em 2014, uma das mais comentadas (até Tarantino deu seus pitacos sobre o filme), principalmente por que esteve presente no Festival de Cannes daquele ano (na seleção da Semana da Crítica) e o boca a boca foi imprescindível, emprestando ao filme (antes mesmo de seu lançamento nos Estados Unidos, que só aconteceu em 2015) uma aura de cult. Exercício de gênero, o filme reascende esperanças para o cinema de terror que, mesmo sem esquecer as convenções, injeta inteligência na sua veia (assim como "Sala Verde", de Jeremy Salnier, exibido em maio, deu impulso novo ao thriller de sobrevivência). Maika Monroe (de apenas 21 anos, em desempenho elogiável) é Jay, uma estudante de classe média que vive em Detroit (Michigan) e que está "ficando" com Hugh (Jake Weary). Depois de alguns encontros, eles finalmente fazem sexo. E logo após ser imobilizada (com clorofórmio) por Hugh, Jay acorda amarrada a uma cadeira de rodas, nem velho estacionamento em ruínas. Hugh então lhe diz que "eles" vão segui-la e que pra se livrar ela precisará apenas fazer sexo com outra pessoa. "Eles" pode ser qualquer pessoa, mas apenas ela conseguirá vê-los. E "eles" vão matá-la se ela não passar a "maldição" adiante. O que poderia ser mais um filme de adolescentes em confronto com forças hostis, acaba se tornando uma bela metáfora não apenas sobre a alienação dos jovens (os adultos, no filme, basicamente estão ausentes), mas uma crítica a uma América fraturada pela ambição econômica e o esquecimento dos dilemas sociais. Emulando David Lynch e John Carpenter, o filme se serve de grandes planos, claros e abertos (ao contrário dos espaços fechados e escuros do terror convencional) para criar, de forma impressionante, uma experiência de claustrofobia e ameaças constantes. Um clima de pesadelo que David Robert Mitchell, em seu segundo filme, mantém com segurança até o final emblemático. Belo e assustador.
(Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do Convite ao Cinema)