15/07/2017 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
CONVITE AO CINEMA: “The Last Day of Summer” e “A Passageira”.
Ciclo: REPRESENTAÇÃO E RECEPÇÃO FÍMICA – O DESMANTELAMENTO DO OLHAR
1º Filme: “The Last Day of Summer”
País: Polônia/1958 – 59min.
Direção: Tadeusz Konwicki
Elenco: Irena Laskowska e Jan Machulski
2º Filme: “A Passageira”
País: Polônia/1961-1963 – 58min.
Direção: Andrzej Munk
Elenco: Aleksandra Śląska e Anna Ciepielewska
Classificação 16 anos
ENTRADA FRANCA
Basicamente inclassificável, “The Last Day of Summer”, de Tadeusz Konwicki, antecipa certas posturas que a Nouvelle Vague francesa adotaria logo em seguida – e foi realizado com um mínimo de recursos mas, vocês verão, um alto grau de comprometimento. Numa praia, no Báltico, encontram-se uma mulher e um homem. Ele a segue. Revela depois que a esteve seguindo por duas semanas. Está apaixonado. Ela se esquiva. Depois assente. Aproximam-se. Conversam. Mas ela precisa ir embora. Minimalista e repleto de ambiguidades, o filme carrega o peso de um subtexto inequívoco: o trauma do pós-guerra, a dificuldade de comunicação, as desconfianças. Premiado no Festival de Veneza, o filme remete, ainda, a outro peso do seu tempo: a guerra fria, então em pleno andamento.
“A Passageira”, por sua vez, tornou-se um filme mítico devido à morte prematura do diretor Andrzej Munk (aos 40 anos, num acidente de carro) antes que ele pudesse terminar o filme. Finalizado dois anos depois por amigos e colaboradores, o filme encontrou seu lugar e a aclamação mundial.
Num navio, vindo dos Estados Unidos, viaja uma mulher alemã, Liza, com seu marido americano. Ficamos sabendo (através de voz off e fotografias) que é a primeira vez que ela retornará à Alemanha, desde o fim da Segunda Grande Guerra. No Porto de Londres o navio faz uma parada para o embarque de outros passageiros. Entre eles, ela reconhece uma ex-prisioneira política de Auschwitz, Marta. Então o filme refaz-se no tempo, durante os anos de terror, quando Liza era uma supervisora da SS do campo de concentração e teve Marta como, em princípio, sua protegida. Fundido entre documentário (filmado mesmo em Auschwitz) e ficção, o filme mostra a “dinâmica” do campo e suas estratégias do terror, sempre com um olhar distanciado, evidenciando a relação entre dominado e dominador. Pungente e feroz na sua representação, “A Passageira” é certamente um antídoto contra o sentimentalismo pornográfico de filmes como “A Lista de Schindler” (de Spielberg) e “A Vida é Bela” (de Roberto Benigni). Um caso único na história do cinema polonês que foi premiado em Cannes com o Prêmio da Crítica Internacional.
Duas obras-primas durante muito tempo esquecidas, os filmes reforçam a ideia de uma “ética da representação”, subjugadas por alguns diretores contemporâneos que tratam, muitas vezes, a grande História como mero espetáculo de consumo. (Paulo Campagnolo é Coordenador e Curador do Convite ao Cinema)