07/10/2017 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
CONVITE AO CINEMA: “La Morte Rouge” e “Vidros Partidos”.
1º Filme: "La Morte Rouge" - Espanha/2006 – 34min. 2º Filme: "Vidros Partidos" - Portugal/Espanha/2012 – 37min. Direção: Victor Erice
Documentários.
Classificação 16 anos
ENTRADA FRANCA
Com 77 anos e 56 anos de carreira, o espanhol Victor Erice se tornou uma lenda, com apenas 3 longas-metragens e vários curtas. Os longas são obras-primas do cinema: "O Espírito da Colmeia" (73), "El Sur" (83) e "O Sol de Marmelo" (92). Premiadíssimo e com uma legião de fãs que estão sempre no aguardo de uma nova obra, Erice realizou uma série de curtas, geralmente sob encomenda, e que demonstram um olhar singular para as inúmeras possibilidades do cinema. Dentre esses, "La Morte Rouge" e "Vidros Partidos". O primeiro fez parte da exposição itinerante "Erice Kiarostami Correspondènces", em 2006, promovido pelo crítico francês Alain Bergala. Trata-se de uma obra autobiográfica, num registro emocionante sobre as primeiras impressões do garoto Erice que, aos 5 anos, vai ao cinema pela primeira vez para assistir "The Scarlet Claw" (1944), clássico filme do enigmático diretor Roy William Neill e considerado o melhor da série de Sherlock Holmes (personagem de Arthur Conan Doyle). Entre o desejo e o medo, o pessoal e o histórico (o regime franquista avançava violentamente), a realidade e a ficção, Erice erige um monumento de reflexão sobre a memória. Já "Vidros Partidos", de 2012, foi uma encomenda da cidade portuguesa de Guimarães que, naquele ano, foi a Capital da Cultura Europeia. Lançado como um filme coletivo chamado "Centro Histórico", que incluía curtas dos portugueses Manoel de Oliveira e Pedro Costa, além do finlandês Aki Kaurismaki, o segmento de Erice se detém, de forma arrebatadora, nos depoimentos de ex-funcionários (e outros não) da antiga Fábrica de Fios e Telas do Rio Vizela, em Guimarães. Fundada em meados do século XIX, foi uma das maiores fábricas têxteis da Europa e que acabou fechada em 2002. Das declarações de anônimos ao emocionante passeio final por uma gigantesca fotografia em preto e branco (que se mantém intacta ainda hoje no refeitório da antiga fábrica), Erice faz um dos mais belos retratos da classe trabalhadora. Dois filmes sobre a memória – pessoal e coletiva – dignas de um verdadeiro mestre.
(Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do Convite ao Cinema)