14/10/2017 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
CONVITE AO CINEMA: "Mulheres Sem Homens".
Filme: "Mulheres Sem Homens" - Alemanha/Áustria/França/2009 – 100min. Direção: Shirin Neshat. Elenco: Shabnam Tolouei, Pegah Ferydoni, Arita Shahrzad e Orsolya Tóth
Classificação 18 anos
ENTRADA FRANCA
O trabalho da artista visual Shirin Neshat (1957) estabelece, de forma crítica e implacável, as dicotomias entre o Ocidente e seu país de origem, o Irã – para onde está proibida de voltar. "Exilada" em Nova York, Neshat se tornou famosa por seus retratos fotográficos enormes com inscrições na caligrafia persa e que refletem o público e o privado, a masculinidade e feminilidade, o velho e o novo, além dos códigos sociais, culturais e religiosos muçulmanos. Da sua experiência em vídeo-instalação, em 2009 Neshat enveredou pelo caminho do cinema de ficção com o belo "Mulheres Sem Homens". Jamais lançado no Brasil, o filme deu à Neshat o Leão de Prata no Festival de Veneza como melhor diretora. Trata-se de uma obra de fundo histórico que, através de 4 mulheres, examina o golpe de Estado (com enorme influência britânica e americana – para não variar em nada) que, em 1953, depôs um governo eleito democraticamente no Irã por uma monarquia que iria pesar a mão nos anos subsequentes. Baseado num romance da escritora iraniana Shahrnush Parsipur, o filme une o coletivo e o privado de forma visceral, com as quatro personagens femininas como uma representação profunda da condição da mulher no Irã (ontem, como hoje). Com imagens arrasadoras (de Martin Gschlacht), música magistral de Ryûichi Sakamoto e filmado no Marrocos em coprodução entre Alemanha, Áustria e França, "Mulheres Sem Homens" tem um roteiro que, se porventura pode nos levar em direção à fantasia, deixa claro também a incrível ética da sua diretora em assunto tão delicado quanto trágico. No mais, as atrizes são formidáveis. Mas o verdadeiro destaque vai para a húngara Orsolya Tóth (de "Johanna") que, sem dizer uma única palavra, transfere para o seu corpo toda a potência da sua personagem. É um petardo! E um filme realizado por uma mulher, sobre mulheres, a conclusão é simples: os homens precisam ver. Pra ver se aprendem alguma coisa.
(Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do Convite ao Cinema)