28/04/2018 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
CONVITE AO CINEMA: "A Região Selvagem".
Filme: "A REGIÃO SELVAGEM" - México/Dinamarca/França/Alemanha/Noruega/2016 – 100min. Direção: Amat Escalante. Elenco: Ruth Ramos, Simone Bucio, Jesús Meza e Edén Villavicencio.
Realização: Secretaria de Cultura de Maringá
Apoio: Maringá.Com e jornal O Diário
Classificação 18 anos
ENTRADA FRANCA
Em 2013, no Festival de Cannes, o diretor mexicano Amat Escalante (então com 35 anos) levou para casa o Prêmio de Melhor Diretor pelo polêmico "Heli", um drama criminal sobre corrupção policial repleto de cenas gráficas de violência que dividiu a crítica, mas que foi um estrondoso sucesso. Em 2016, desta vez, no Festival de Veneza, Escalante novamente recebe as graças do júri do Festival como melhor Diretor por um filme diferente que, no entanto, também dividiu a crítica: "A Região Selvagem". Inédito no Brasil, o filme poderia ser um primo distante de "A Ghost Story" por ser, também, um objeto estranho em meio a uma certa "mesmice" (vamos chamar assim) de lançamentos, ou de um panorama geral do cinema. Estranho é uma palavra que aqui cai (literalmente) como uma luva. Na cidade mexicana de Guanajuato vivem Alejandra e seu marido Ángel, com dois filhos pequenos. Fábian, irmão de Alejandra, é enfermeiro num hospital. Ele tem um caso com Ángel que, em público, ignora-o e deixa a sua homofobia vir à tona. Veronica, uma jovem solitária do qual pouco sabemos, vai se conectar a eles de forma estranha. Logo no começo do filme ela é atendida por Fábian depois de ser "mordida" por um cão. Não se trata disso, em verdade. Trata-se de algo mais misterioso. Numa cabana, em meio a uma floresta, vive um casal de ex-hippies, amigos de Veronica, que escondem uma estranha criatura (que a deduzir pelo começo do filme, veio do espaço) cheia de tentáculos e que se alimenta da frustração sexual de quem ali se atreve a se deixar possuir. Mas haverá um limite para isso. E uma das questões do filme será sobre esse limite. Da fantasia ao realismo, Escalante arranha a natureza devoradora do desejo sem deixar, de forma inteligente, de insinuar que animalidade e humanidade por vezes caminham de mãos dadas – assim como frustrações e desejos. "A Região Selvagem" é um filme para poucos. Talvez porque seja absolutamente atrevido. E muita gente não sabe como encarar o atrevimento com distanciamento moral. (Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do Convite ao Cinema)