23/06/2018 (SAB)
20h00
Itália/1961 – 120min. Direção: Valerio Zurlini. Elenco: Claudia Cardinale, Jacques Perrin, Corrado Pani e Luciana Angiolillo.
Realização: Secretaria de Cultura de Maringá
Apoio: Maringá.Com
Classificação 16 anos
ENTRADA FRANCA
Não foi em vida que Valerio Zurlini (1926-1982) alcançou o reconhecimento que desfruta hoje como um dos grandes nomes do cinema italiano. Conhecido como "o mestre dos sentimentos", teve o azar, no entanto, de ter começado a fazer cinema na mesma época em que Fellini, Antonioni e Visconti, entre outros, já estavam sendo consagrados. Dos mais de 30 anos dedicados ao cinema, Zurlini realizou apenas oito filmes, mas muitos deles verdadeiras obras-primas. Este é o caso de "A Moça Com a Valise", de 1961. Claudia Cardinale, então no auge da beleza – uma dessas mulheres mitos que o cinema dificilmente consegue alcançar hoje – e mais conhecida por esses dotes do que propriamente como uma atriz, está deslumbrante como Aida, uma jovem do interior que, seduzida pelos galanteios do ricaço Marcello (Corrado Pani) que logo quer se ver livre dela, acaba encontrando no irmão deste, Lorenzo (Jacques Perrin fabuloso aos 19 anos) um ponto de apoio para a sua frustração amorosa. Lorenzo é belo, jovem (16 anos) e triste, e sua sensibilidade encontrará na desprezada moça um sentido de elevação espiritual e uma paixão inevitável. Sem jamais descuidar da análise interior de suas personagens, Zurlini fez um trabalho calcado num estranho senso estético que chega a lembrar as "flutuações" da então recente explosão da Nouvelle Vague francesa. Arrebatador na sua melancolia e com cenas antológicas, "A Moça Com a Valise" é a mais pura delicadeza de um cinema (o italiano) que já foi considerado o melhor do mundo.
Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do Convite ao Cinema