15/09/2018 (SAB)
EXCEPCIONALMENTE ÀS 15 HORAS
Entrada Gratuita
EXCEPCIONALMENTE ÁS 15 HORAS, no dia 15 de setembro será exibido o filme: A Comuna - Paris, 1871. O FILME SERÁ EXIBIDO EM 3 PARTES, COM 2 INTERVALOS.
França/2000 – 345min. Direção: Peter Watkins. Elenco: Eliane Annie Adalto, Pierre Barbieux, Bernard Bombeau, Maylis Bouffartigue, Geneviève Capy, Anne Carlier, e Véronique Couzon.
Local: Auditório Hélio Moreira
Endereço: Av. XV de Novembro, 701 (anexo a Prefeitura)
Realização: Secretaria de Cultura de Maringá
Apoio: Maringá.Com
Classificação 16 anos
ENTRADA FRANCA
O FILME SERÁ EXIBIDO EM 3 PARTES, COM 2 INTERVALOS.
Filmado em 13 dias, depois de ensaios exaustivos, com uma trupe de quase 100 atores (a grande maioria de não profissionais), e dentro de um grande barracão, "A Comuna – Paris, 1871" transformou-se numa obra monumental, sem precedentes no cinema recente, num estilo que combina o falso documentário com o documento histórico, e que conta um dos momentos-chave da história da França – que até mesmo muitos franceses desconhecem. Em 1871, o povo de Paris, relegado à miséria e à exploração, sofrendo ainda com a recente derrota na guerra contra os alemães, revolta-se contra a República recém-instaurada por Adolphe Thiers. Com apoio da Guarda Nacional, os communards fundam um governo popular, coletivizam a produção, reformam o sistema educacional, entregam o poder ao povo.
Em semanas, a recém nomeada Comuna de Paris introduziu mais reformas do que todos os governos nos dois séculos anteriores combinados:
- O trabalho noturno foi abolido;
- Oficinas que estavam fechadas foram reabertas para que cooperativas fossem instaladas;
- Residências vazias foram desapropriadas e ocupadas;
- Em cada residência oficial foi instalado um comitê para organizar a ocupação de moradias;
- Todas os descontos em salário foram abolidos;
- A jornada de trabalho foi reduzida, e chegou-se a propor a jornada de oito horas;
- Os sindicatos foram legalizados;
- Instituiu-se a igualdade entre os sexos;
- Projetou-se a autogestão das fábricas (mas não foi possível implantá-la);
- O monopólio da lei pelos advogados, o juramento judicial e os honorários foram abolidos;
- Testamentos, adoções e a contratação de advogados se tornaram gratuitos;
- O casamento se tornou gratuito e simplificado;
- A pena de morte foi abolida;
- O cargo de juiz se tornou eletivo;
- O calendário revolucionário foi novamente adotado;
- O Estado e a Igreja foram separados; a Igreja deixou de ser subvencionada pelo Estado e os espólios sem herdeiros passaram a ser confiscados pelo Estado;
- A educação se tornou gratuita, laica e compulsória. Escolas noturnas foram criadas e todas as escolas passaram a ser de frequência mista;
- Imagens santas foram derretidas e sociedades de discussão foram adotadas nas Igrejas;
- A Igreja de Brea, erguida em memória de um dos homens envolvidos na repressão da Revolução de 1848, foi demolida. O confessionário de Luís XVI e a coluna Vendôme também;
- A Bandeira Vermelha foi adotada como símbolo da Unidade Federal da Humanidade;
- O internacionalismo foi posto em prática: o fato de ser estrangeiro se tornou irrelevante. Os integrantes da Comuna incluíam belgas, italianos, poloneses, húngaros;
- Instituiu-se um escritório central de imprensa;
- Emitiu-se um apelo à Associação Internacional dos Trabalhadores;
- O serviço militar obrigatório e o exército regular foram abolidos;
- Todas as finanças foram reorganizadas, incluindo os correios, a assistência pública e os telégrafos;
- Havia um plano para a rotação de trabalhadores;
- Considerou-se instituir uma Escola Nacional de Serviço Público, da qual a atual ENA francesa é uma cópia;
- Os artistas passaram a autogestionar os teatros e editoras;
- O salário dos professores foi duplicado. (Informações: Wikipédia)
O sonho, que durou dois meses, tornou-se pesadelo quando as tropas do Governo de Thiers, saindo de Versalhes, invadem Paris e deixam um saldo de 30.000 mortos, entre homens, mulheres e crianças.
Peter Watkins, hoje com 82 anos, fez de seu filme um grande painel histórico com a interposição do papel da imprensa no mesmo. Utilizando repórteres e câmeras de TV, que dão a notícia no calor dos acontecimentos, "A Comuna" se torna atualíssimo pois nos faz lembrar a necessidade simples de pensar. As imagens, algumas devastadoras e outras emocionantes (como os depoimentos dos membros da Comuna sobre suas condições), servem para sugerir, apoiar, provocar e dar conta de um cinema militante que nestes tempos também precisa ser intransigente. Porém, o melhor de tudo: um cinema corajoso que, pela postura que assume, invoca a responsabilidade de nossas decisões. Um filme poderoso em todos os sentidos.
(Paulo Campagnolo – Coordenador e Curados do Convite ao Cinema)