08/12/2018 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
Acreditar no humano, eis o lugar que Alice Rohrwacher, em seu terceiro longa, impõe em "Lazzaro Felice".
Itália/França/Suíça/Alemanha/2018 – 127min. Direção: Alice Rohrwacher. Elenco: Adriano Tardiolo, Alba Rohrwacher, Nicoletta Braschi, Agnese Graziani, Sergi López, Tommaso Ragno e Luca Chikovani.
Realização: SECRETARIA DE CULTURA DE MARINGÁ
Apoio: Maringá.Com
Classificação 16 anos
ENTRADA FRANCA
Acreditar no humano, eis o lugar que Alice Rohrwacher, em seu terceiro longa, impõe em "Lazzaro Felice". Não sem uma dose do fantástico, no entanto. Mas talvez seja melhor dizer: uma dimensão espiritual que contrapõe a epifania com as mazelas sociais de uma Itália que parece ter sido resgatada de Pasolini, de Ermano Olmi e de Luigi Comencini. Com um número enorme de atores não profissionais, o filme narra as desventuras de camponeses, numa região perdida e sob o comando de ferro da Marquesa Alfonsina de Luna (Nicoletta Braschi de volta ao cinema depois de 17 anos de ausência). Todos membros de uma mesma família, entre os camponeses encontra-se Lazzaro (Adriano Tardiolo, belo como um anjo), um jovem que aceita de bom grado as tarefas que lhe são impostas – mesmo quando o abuso chega no limite. A Marquesa, que trata os camponeses como escravos (e esse evento é baseado numa história real que ocorreu nos anos 80), tem um filho, Tancredi – rebelde e entediado, que acaba travando uma amizade sincera com Lazzaro. Contando com a ingenuidade deste, Tancredi simula seu próprio sequestro para extorquir dinheiro de sua mãe. No entanto, algo acontece. E o tempo dará um salto. E dizer mais seria estragar o prazer e o mistério com o qual o filme irá se conectar, numa dessas "aventuras" poéticas que fazem do humano uma paisagem por vezes desencantada e, em outros momentos, plena de vitalidade e fé. Tardiolo, como Lázzaro, tem essa aparência etérea e uma bondade "louca" que até poderá fazer os céticos esboçarem um risinho cínico. Mas a verdade é que Rohrwacher, com seu cinema de corpos e tantas sequências iluminadas lança uma bela metáfora sobre o contemporâneo (onde a febre das desigualdades sociais fazem adoecer), resgatando a paisagem primitiva que fez a beleza do grande cinema italiano e pedindo, com uma ousadia que confirma a sua coerência como diretora, a crença do público para o seu conto não menos que maravilhoso. Emocionante!
Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do Convite ao Cinema