15/12/2018 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
Filme: "TRANSIT" - Alemanha/França/2018 – 101min. Direção: Christian Petzold. Elenco: Franz Rogowski, Paula Beer, Barbara Auer, Godehard Giese, Maryan Zaree, Mathias Brandt e Lilien Batman.
Realização: SECRETARIA DE CULTURA DE MARINGÁ
Apoio: Maringá.Com
Classificação 18 anos
ENTRADA FRANCA
Baseado no romance de Anna Seguers (1944), "Transit", o oitavo longa do alemão Christian Petzold não tem medo de deixar em evidência o atrito que existe entre a literatura e o cinema. Para tanta coragem, que deverá merecer atenção redobrado do espectador, Petzold "viaja" através do presente quase a refazer o clássico de Michael Curtiz, "Casablanca" (1942), sem no entanto ressignificar o passado (vivido por Seghers) – isto é, o avanço, na França ocupada pelos nazistas, das deportações para os campos de concentração. No filme, um esplêndido Franz Rogowski é Georg que, na incumbência de entregar cartas a esposa de um escritor (que se suicidou, podemos crer), acaba por tornar-se um "vampiro" – uma vez que acabará por assumir o papel do morto para tentar conseguir sair da França. Renovador do melodrama (e seu filme anterior "Phoenix" já havia revelado o seu gigantesco talento para isso), Petzold, sob o signo dos grandes Douglas Sirk, Minnelli e Fassbinder, realiza com "Transit" um drama comovente que coloca, uma vez mais, a história como personagem. Narrado em terceira pessoa (no livro é na primeira), o filme tem seu foco profundo em perpétua perturbação, num movimento inesperado em direção à ficção à qual está fadado o personagem de Georg. Com enorme sutileza, Petzold pinta a tragédia desse homem como uma espécie de eterno retorno. No seu coração, o filme se mostrará intransigente no que diz respeito aos encontros e desencontros. Na carne, trata-se mesmo de um tremendo trabalho político – como uma necessidade desses tempos. Pois a diversão acabou. E numa obra ousada como "Transit", essa constatação pode gerar até mesmo um certo prazer: aquele de ter a certeza de que a arte está a nos induzir a sentimentos novos, profundos e transformadores. "Transit" é pontual. Belo e absurdamente concreto no seu desmantelamento das banalidades.