13/04/2019 (SAB)
20h00
Entrada Gratuita
Filme: "A MAN OF INTEGRITY" - País: Irã/2017 – 118min. Direção: Mohammad Rasoulof.
Elenco: Reza Akhlaghirad, Soudabeh Beizaee, Nasim Adabi e Misagh Zare Zeinab.
Local: Auditório Hélio Moreira
Endereço: Av. XV de Novembro, 701 (anexo a Prefeitura)
Realização: Secretaria de Cultura de Maringá
Apoio: Maringá.Com
Classificação 18 anos
ENTRADA FRANCA
Manter-se íntegro diante de um mundo repleto de injustiças não é tarefa fácil. Muito menos quando a injustiça lhe bate à porta exigindo o seu quinhão – uma participação no contrato social que agora se apresenta através da alcunha "corrupção". Reza, o homem íntegro do título desse atordoante filme do iraniano Mohammad Rasoulof, tenta de tudo para não cair nas armadilhas que o cercam: vive com sua esposa e filho, numa pequena cidade onde todos se conhecem e sabem de tudo e onde uma tal Companhia, que opera através de meios pouco ortodoxos, já catapultou como séquito o prefeito, juízes, o delegado e o banco local. Na sua pequena propriedade, Reza trabalha como piscicultor, criando peixes ornamentais. Sua fazenda está hipotecada e ele paga altas multas pelo atraso no pagamento da dívida. Mas poderá ser por pouco tempo se ele estiver disposto a vender. Um tal de Abbas, membro da Companhia, não facilita a sua vida e, depois de uma briga, pela qual Reza acaba preso, acaba pedindo uma indenização (pois saiu com o braço quebrado) que Reza não tem condições de pagar. As coisas acabam tomando proporções kafkianas e o filme que começa como um drama, termina por (inevitavelmente) conceder ao thriller o seu espaço. Vencedor do principal prêmio da Mostra Um Certain Regard, em Cannes 2017, "A Man of Integrity" é, para além de um mero filme, um grito de denúncia sobre um país onde, conforme diz uma personagem, "somos necessariamente ou opressor ou oprimido". Vale para o Irã. Vale para tantos outros lugares. Rasoulof, amigo de Jafar Panahi (o diretor dos grandes "O Círculo", "Ouro Carmim", "Isto Não é Um Filme" e "Taxi Teerã", e que está detido pelas autoridades iranianas deste 2010 e proibido de realizar filmes por 20 anos – mesmo assim, realizando num gesto de resistência dos mais incríveis da história do cinema), realizou seu trabalho com a autorização das autoridades, desde que o filme não fosso muito "negro". Acabou fazendo o filme às escondidas (mesmo porque já tivera problemas semelhantes à Panahi em anos anteriores) e levando para Cannes de forma obscura. Em 16 de setembro de 2017, quando voltava do Telluride Film Festival (no Colorado, EUA), teve seu passaporte apreendido e, agora, está novamente proibido de realizar filmes. Para quem for assistir "A Man of Integrity" não será difícil entender o porquê do mal estar do governo iraniano. Um governo que agora se vê mundialmente atacado depois do pronunciamento da sentença da ativista e defensora dos direitos das mulheres, a advogada Nasrin Sotoudeh, condenada à 38 anos de prisão e a 148 chicotadas, acusada de espionagem, de difusão de propaganda e de insultos ao líder iraniano Ali Khamanei. Tal qual uma tragédia clássica, o roteiro de Rasoulof trata de examinar o que define o ser humano em uma sociedade que perdeu seu centro moral. O horror! O Horror!
Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do convite ao Cinema.