08/10/2021 (SEX) até 09/10/2021 (SAB)
20h00
Avenida XV de Novembro, Zona 01
Gratuito
16 anos
Secretaria de Cultura
A sessão será realizada presencialmente no auditório Hélio Moreira (08/10) e o debate via Google Meet (09/10), ambos às 20h00. Formulário para participar do debate via Google Meet.
Confira a resenha do filme O Silêncio do Mar, feita por Paulo Campagnolo:
França, 1941. Um belo dia, na casa de um homem de 60 e poucos anos que vive com sua sobrinha, dois soldados alemães chegam para inspecionar a propriedade. No dia seguinte, retornam com caixas. Depois, então, chega finalmente o tenente alemão Werner von Ebrennac (um assustador Howard Vernon) e ali se instala. Ao tio e à sobrinha, restará o silêncio – como se a presença do homem fosse a de um fantasma, ainda que suas palavras (sem expectativa de resposta) ecoem profundamente – uma vez que a arte, de um modo geral, será tema de suas conjecturas. Ou, antes, de seus monólogos.
É de se perguntar, diante da gravidade emblemática da encenação: o que Jean-Pierre Melville, em seu primeiro filme, estava fazendo? É de se responder, sem titubeios: sua primeira obra-prima!
Baseado num conto de Vercors (pseudônimo de Jean Bruller), O SILÊNCIO DO MAR é uma potente parábola sobre a resistência. Com ecos do neorrealismo italiano, de Jean Renoir e do "Cidadão Kane", de Welles, e antecipando Bresson e a Nouvelle Vague, um trabalho profundamente misterioso, com posturas formais incomuns (anti-cinematográficas?) e uma das estreias mais fabulosas da história do cinema. Tão apropriado para os nossos tempos, quando "o inimigo" se "instalou" em nossas casas e em nossas vidas, um trabalho verdadeiramente arrebatador.